SELIC a 14,75%: impactos técnicos e estratégicos nas carteiras dos RPPS

A elevação da SELIC para 14,75% afeta diretamente os RPPS, exigindo ajustes estratégicos na carteira de investimentos com foco em rentabilidade, liquidez, segurança e aderência à política vigente.

O aumento da taxa SELIC para 14,75% ao ano, promovido pelo Banco Central, representa um marco relevante no cenário econômico e tem implicações diretas para os Regimes Próprios de Previdência. Essa elevação, motivada pelo esforço de contenção da inflação e manutenção da credibilidade da política monetária, reforça um ambiente de juros altos que afeta de maneira distinta os diversos componentes das carteiras previdenciárias.

No entanto, é fundamental compreender que os investimentos já realizados, especialmente os de renda fixa pré-fixada ou indexados à inflação, não sofrem desvalorização em sua estrutura de rentabilidade contratada. Eles continuarão pagando os juros acordados até o vencimento. O que pode ocorrer, no entanto, é uma redução no valor de mercado desses papéis, refletida na marcação a mercado dos fundos de investimento que os compõem, caso a taxa do título antigo seja inferior à praticada após a elevação da SELIC. Ou seja, o impacto é contábil, e não financeiro, se o ativo for mantido até o vencimento. Isso reforça a importância da análise do horizonte de investimento e da gestão de liquidez da carteira.

Outro aspecto sensível diz respeito aos ativos estruturados, como FIDCs e CRIs, que podem enfrentar maior risco de crédito, já que o ambiente de juros altos encarece o custo dos financiamentos e impacta a capacidade de pagamento dos devedores. A avaliação criteriosa do risco de crédito e da liquidez desses ativos torna-se, portanto, ainda mais essencial.

Nesse contexto, os gestores dos RPPS devem adotar uma postura proativa e técnica, revisando suas políticas de investimentos e realocando recursos conforme a nova realidade de mercado. A gestão baseada em análise de passivos, liquidez e duration torna-se ainda mais estratégica, garantindo que os investimentos sejam compatíveis com os compromissos futuros do regime e que as decisões respeitem o perfil de risco da carteira.

Por fim, é essencial lembrar que a elevação da SELIC, apesar de trazer boas oportunidades de rentabilidade para novas alocações, não deve ser interpretada como um estímulo ao giro excessivo da carteira ou à tomada de risco adicional. A sustentabilidade do RPPS está na aderência à legislação, na observância à política de investimentos e no alinhamento técnico entre ativos e obrigações atuariais.

Mais do que um número, a SELIC em 14,75% exige inteligência, responsabilidade e estratégia. Cabe aos RPPS interpretarem esse cenário com maturidade, aproveitando as oportunidades sem abrir mão da solidez e do compromisso com o futuro dos seus segurados.

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